No trabalho

Como escolhi minha carreira: Design

3 de junho de 2016
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A escolha de uma carreira é algo que sempre gera ansiedades. Se você está passando por isso, fique tranquilo(a)! É muito normal isso acontecer. Passados quase 10 anos desde a minha formatura, começo a refletir como escolhi minha carreira e como vim parar nos dias de hoje. Por isso, hoje vou contar uma história. Uma história que mistura loucuras, falta de dinheiro, cara de pau e amor pela profissão. Então pegue seu café, puxe uma cadeira e vamos começar.

Sempre fui um cara adiantado nos estudos. Com 17 anos já havia completado o colegial e estava pronto para entrar na faculdade. Não queria perder tempo, afinal, se tudo desse certo, me formaria com 21 anos. Mas não era nem maior de idade e já tinha que escolher a profissão que definiria meu futuro?! Eis que tive uma ideia genial… Como todo adolescente nerd, meu sonho era trabalhar com games.

Mas qual graduação escolher? Ciência da Computação seria algo mais próximo, já que Design de Games nem existia em 2004. Publicidade, talvez? Prestei vestibular em faculdades públicas e privadas para os dois cursos. Mas aos 45 minutos do segundo tempo, com o juiz prestes a apitar o fim do ano, tropecei no curso de Design. E é neste ponto em que começam as loucuras.

O curso tinha tudo o que eu queria (segundo a grade curricular), mas era a primeira turma de uma faculdade particular. Ou seja, poderia ser uma grande furada. Para apimentar a história, o curso custava um rim, ou seja, era um dos mais caros de São Paulo. Qual seria a decisão mais lógica, já que tinha passado em uma das principais universidades públicas do país e meus pais não tinham condição de pagar uma mensalidade naquele valor? Sim, largar tudo e arriscar a faculdade particular!

Sim, meus amigos e minhas amigas, depois de duas fases de FUVEST, uma estrelinha dourada na testa por ter passado em um dos principais vestibulares do país, eu desisti e fui fazer a faculdade particular. É claro que existe um detalhe… A faculdade não era qualquer uma, era a Escola Superior de Propaganda e Marketing (alô, ESPM! Depois deste jabá, eu quero um curso de graça).

Fase 2: A entrada no mercado de trabalho

Vou pular alguns meses e contar como entrei no mercado de trabalho. Sempre tive em mente que o “não” eu já tinha. Aliás, para tudo na vida é assim, o “não” você já tem, é sua tarefa transformá-lo em “sim”. Parece papo de autoajuda, mas é verdade.

Estava mais duro que mesa de carvalho, não tinha bolsa de estudo disponível e minha conta bancária flertava com o limite negativo. Decidi arriscar e falar com o professor mais maluco e mais genial que tinha. Lembro até hoje a conversa que tive com ele:

– Acho que vou desistir da faculdade. Vamos para o segundo semestre, não paguei o primeiro e sei lá como vou pagar o segundo.

– Desistir? DE JEITO NENHUM! Vamos dar um jeito.

– Mas como?!

– Não sei, mas vamos descobrir.

Uma semana depois ele me ligou. Tinha conseguido uma vaga de trabalho dentro da faculdade que dava direito a bolsa de estudo parcial. Mas tinha um detalhe, trabalharia em um departamento esquecido pela faculdade, em um horário maluco e não seria 100% de bolsa. Aceitei por um motivo: gosto de apostar em relações a longo prazo (que também é igual a apostar em Vegas, mas sem as luzes do casino e o whisky, ou seja, se der errado, você perde tudo e sai sem nada).

Posso dizer que acertei o número premiado. O meu ex-chefe, naquele departamento esquecido pela comunidade acadêmica, hoje é presidente da faculdade. Aquele horário maluco (que resultava em horas ociosas sem nenhum atendimento ao público), me “obrigou” a criar algo para matar o tédio e o resultado foi a criar um blog que, este ano, completa 10 anos e já me abriu inúmeras portas profissionais.

O resultado, após todo esse tempo? Já trabalhei para as maiores multinacionais do país e estrangeiras, meu blog ultrapassou a barreira de 1 milhão de acessos, fiz projetos fantásticos e fiz parte de equipes premiadas.

Fase 3: Como o design mudou minha visão do mundo

O design não apareceu na minha vida como uma simples profissão, hoje é uma filosofia de vida. Exagero? Olhe ao seu redor, provavelmente verá inúmeros itens relacionados ao design. Não estou falando apenas de uma embalagem bem feita ou uma cadeira confortável. O design está na estampa do seu cobertor, no desenho do seu celular, na sua revista (digital ou impressa) e até na arquitetura do seu apartamento. Por viver em uma profissão tão multidisciplinar, acabei navegando por diversas áreas. Fui designer digital, editor de fotografia, criei conteúdo escrito – foram mais de 2000 textos autorais até hoje. Aprendi olhar fora da caixa e me adaptar.

Em resumo, o que quero contar para vocês é que nem sempre a vida sai como o planejado. Escolher uma profissão tem mais a ver em fazer o que ama, do que a conta bancária no fim do mês (um bom salário será consequência). Duvida? Você já parou para pensar quanto tempo passa trabalhando e quanto tempo passa com a sua família/amigos? Você trocaria suas paixões por milhões de (escolha a sua moeda de preferência)?

Pensando bem, acho que não escolhi ser designer. O design que me escolheu e eu incorporei a profissão na minha vida, sem muitos planos e muito amor pelo o que faço.

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